Campanha Setembro Amarelo: por que é importante

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Tempo estimado de leitura: 6 minutos

Um breve olhar sobre as estatísticas sobre suicídio comprova a extrema necessidade da campanha Setembro Amarelo.

Segundo dados da OMS (Organização Mundial de Saúde), cerca de 800 mil pessoas morrem por suícidio todos os anos, sendo a quarta causa de morte entre jovens de 15 e 29 anos. Isso significa que a cada 40 segundos, uma pessoa tira a própria vida em algum lugar do planeta.

Ainda de acordo com o órgão, o Brasil ocupa o oitavo lugar na lista de países com maior número de suicídios, contabilizando aproximadamente 12 mil suicídios por ano.

Apesar dos números chocarem, é preciso falar sobre saúde mental, transtornos psicológicos e suicídio sem tabus. Isso porque tratar o tema com vergonha ou censurar o debate apenas corrobora para o aumento exponencial dessas estatísticas, adoecendo cada vez mais a sociedade.

Assim, temos a campanha Setembro Amarelo, responsável por conscientizar, informar e acolher pessoas que sofrem com tendências suicidas. A solução para diminuir os casos de suicídio, portanto, não está no silêncio, mas sim no diálogo aberto e no acolhimento coletivo, como veremos ao longo deste artigo. 

O que é Setembro Amarelo e qual a sua importância?

A campanha Setembro Amarelo é um movimento de conscientização mundial de prevenção ao suicídio, o qual é decorrente, principalmente, da depressão. Tema ainda muito estigmatizado, a depressão faz inúmeras vítimas por ano, sendo muitas vezes difícil de diagnosticar. Além disso, muitos ainda tratam o tema com certo constrangimento, não buscando tratamento e ajuda profissional. 

Assim, a campanha Setembro Amarelo atua em prol da valorização da vida, bem como busca informar a população sobre suicídio e depressão, mantendo um diálogo aberto e sem tabus para esclarecer os preconceitos que rondam o tema. 

Quando surgiu o Setembro Amarelo?

A campanha Setembro Amarelo começou nos EUA com a história de Mike Emme, que cometeu suicídio em 1994, quando tinha apenas 17 anos. 

Segundo a família e os amigos, o jovem era muito carinhoso e gentil. Também tinha muita habilidade com mecânica, o que o levou a reformar um Mustang 68, pintando-o de amarelo. Assim, em seu funeral foram distribuídos cartões e fitas amarelas com a frase “Se precisar, peça ajuda”. 

O caso serviu como ponto de partida para campanhas de valorização da vida e prevenção ao suicídio, utilizando o laço amarelo como símbolo. Inclusive, diversos jovens passaram a utilizar cartões amarelos para pedirem ajuda, e o movimento se disseminou por todo país e posteriormente alcançou visibilidade mundial. 

Dada a importância do movimento, em 2003 a OMS decretou oficialmente o dia 10 de setembro como o Dia Mundial da Prevenção do Suicídio. No Brasil, a campanha Setembro Amarelo teve início em 2015, por meio do trabalho em conjunto do Centro de Valorização da Vida (CVV), do Conselho Federal de Medicina (CFM) e da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP). 

A imagem contém uma mãe demonstrando apoio ao seu filho ao abraçá-lo, um exemplo de ação da campanha Setembro Amarelo.
O apoio emocional é essencial para a valorização da vida!

Qual o objetivo da campanha Setembro Amarelo?

Para a campanha Setembro Amarelo, a disseminação de informações e o diálogo são as principais formas de combater o suicídio. Por isso, o principal objetivo do movimento é conscientizar e alertar a população sobre a realidade das taxas de depressão, suicídio e outros problemas psicológicos que assolam o mundo.

Assim, ao longo deste mês, diversas ações são realizadas para dar visibilidade ao movimento. Alguns exemplos são: palestras, disponibilização de materiais gratuitos sobre o tema, campanhas incentivando o tratamento adequado, entre outras atitudes em prol da valorização da vida.

Essas atitudes são tomadas tanto no âmbito público, com medidas governamentais, quanto em contextos privados, como empresas que tomam atitudes para assegurar a qualidade de vida de seus funcionários. 

Além disso, as redes sociais têm grande impacto na campanha Setembro Amarelo, ampliando o acesso a informações e criando uma rede de comunicação e apoio muito importante.

Importância da Psicologia na campanha Setembro Amarelo

Existem diversas atitudes que podem ajudar alguém com problemas ou com tendências suicidas. Contudo, é preciso ressaltar que o profissional de Psicologia é extremamente importante, sendo a única pessoa capacitada para tratar e cuidar do paciente.

Essa ressalva deve ser feita porque em setembro é comum algumas pessoas fazerem posts se disponibilizando para conversar com indivíduos com algum problema e que pensam em tirar a própria vida. 

Apesar da intenção ser boa e de o diálogo ser importante, é preciso entender que alguém com tendências suicidas precisa de uma escuta profissional e especializada, visto que já está extremamente sensível e num estado delicado. 

Assim, um indivíduo sem capacitação em Psicologia pode, acidentalmente, dizer a coisa errada, desencadeando diversos gatilhos no outro. 

O que fazer para o Setembro Amarelo?

Nesse sentido, o primeiro ponto a se pensar é ficar atento aos sinais de alerta. Por exemplo, se algum amigo demonstrar oscilações bruscas de humor, desinteresse geral, começar a se isolar e fazer comentários autodepreciativos, é o momento de ficar atento e dar atenção a essa pessoa. 

Para isso, mostre empatia, respeito, afeto e trate o assunto com seriedade, sem desmerecer os sentimentos da pessoa nem fazer julgamentos. Também é extremamente importante incentivar a pessoa a buscar ajuda profissional, que é o que de fato vai ajudá-la.

Se perceber que o caso é grave, é necessário informar a família e amigos próximos. Com isso é possível criar uma rede de apoio e evitar que a pessoa faça algo contra a própria vida.

Como abordar a campanha Setembro Amarelo?

Apesar de setembro representar o mês de prevenção ao suicídio, essa campanha deve acontecer o ano todo, independente da data. Isso significa que é importante dialogar, acolher e disseminar informações sobre o tema de forma ininterrupta.

Além disso, assim como é importante respeitar e apoiar a causa, também é importante condenar e reprimir atitudes e falas que perduram e alimentam preconceitos sobre o tema. Alguns exemplos de frases para não usar são: “Só quer chamar atenção”, “Isso é falta do que fazer”, “É frescura”, dentre outras frases extremamente tóxicas. 

Caso você esteja passando por um momento difícil e tenha pensamentos autodestrutivos ou conheça alguém nessa situação, busque a ajuda de um profissional qualificado. Para isso, você pode, por exemplo, ligar para o CVV por meio do número 188.  

Para todos os meses do ano, acolha, escute e ajude. E não deixe de compartilhar este conteúdo com alguém que também está em dúvida sobre o que fazer quanto à campanha Setembro Amarelo.

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