Atualizações no Guia Alimentar

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Tempo estimado de leitura: 4 minutos
Nutricionista e Professora do Unimetrocamp fala sobre as novas atualizações no guia alimentar.

Erika Blascovi de Carvalho, nutricionista e professora do Centro Universitário UniMetrocamp fala um pouco mais sobre as atualizações que que foram feitas recentemente no guia alimentar.

Essa não seria a primeira vez que o Guia Alimentar para a População Brasileira passaria por uma atualização. Em 2014 foi lançada a segunda edição do guia, com a classificação NOVA, que divide os alimentos em quatro grupos de acordo com os níveis de processamento a que são submetidos: in natura e/ou minimamente processados, ingredientes culinários processados, alimentos processados e alimentos ultraprocessados.

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Atualizações são importantes e devem acompanhar as mudanças no perfil nutricional da população, oferecendo informações que tenham como finalidade a melhora de hábitos alimentares e, consequentemente, da saúde.

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Por que, então, está havendo tanta discussão a respeito de uma nova atualização do Guia? Porque aparentemente a motivação não é a preocupação com a saúde da população.

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A Nota Técnica divulgada pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento traz críticas infundadas à atual edição do Guia, sem embasamento científico e escritas de forma incompatível com a seriedade e formalidade requeridas nesse tipo de documento.

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Uma das críticas é justamente sobre a classificação NOVA. O documento trata como incoerentes as críticas aos alimentos ultraprocessados, justificando que “com exceção do leite materno até os 6 meses, nenhum alimento sozinho fornece os nutrientes necessários ao organismo, portanto mesmo os alimentos in natura são desbalanceados”. A tentativa de justificar o consumo de industrializados com tal afirmação é descabida e evidencia o objetivo de privilegiar a indústria, especialmente quando seguimos a leitura e vemos que a classificação atual foi chamada de equivocada pois “uma alimentação baseada em alimentos in natura e minimamente processados é perigosa e está associada a doenças do coração, obesidade e outras doenças crônicas” – o que, definitivamente, não procede.

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Ainda que haja produtos industrializados pensados para ajudar a suprir necessidades nutricionais, a literatura científica está repleta de artigos mostrando que as doenças citadas no documento estão associadas ao consumo de ultraprocessados, e não alimentos in natura. Referências científicas, aliás, foram deixadas de lado para a elaboração da Nota Técnica: foram citadas duas publicações, sendo uma a respeito do consumo de ultraprocessados nos Estados Unidos de 2003 a 2008 e outra sobre a influência do mercado de ingredientes, de 2014.

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Em mais uma tentativa de desqualificar o Guia atual, afirma-se que ele está classificado entre os piores do planeta, contradizendo diversas publicações que o classificam como um dos melhores.

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Por fim, solicita-se que engenheiros de alimentos participem da elaboração do novo guia, deixando de lado nutricionistas e profissionais de saúde, que não possuem vínculos com a indústria.

A preocupação é que entre tantas mensagens enganosas, confusas, que levam o consumidor a ter concepções completamente equivocadas sobre alguns alimentos, a generalização da “importância” dos ultraprocessados seguramente será só mais uma forma de ludibriar a população.

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Esperamos que todas as notas de repúdio e argumentações devidamente respaldadas por dados confiáveis de literatura e de pesquisas possam levar à revisão da solicitação e ao reconhecimento da importância de diretrizes que objetivem a saúde, e não o lucro industrial.

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Seguem abaixo algumas pesquisas sobre o risco do consumo de ultraprocessados.

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Elizabeth L et al. Ultra-Processed Foods and Health Outcomes: A Narrative Review. Nutrients. 2020;12(7):1955

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Santos FSD et al. Food processing and cardiometabolic risk factors: a systematic review. Rev Saude Publica. 2020;54:70.

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Askari M et al. Ultra-processed food and the risk of overweight and obesity: a systematic review and meta-analysis of observational studies [2020 Aug 14]. Int J Obes (Lond)

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Pagliai G et al. Consumption of ultra-processed foods and health status: a systematic review and meta-analysis [2020 Aug 14]. Br J Nutr. 2020;1-11.

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